Para uma pessoa que sofreu de uma ansiedade profunda, fazer a escolha que fiz não foi uma tarefa fácil, porém, todos os dias essa decisão tem mostrado que eu posso ser uma pessoa forte e muito mais do que eu imaginei.

Desde o momento que decidi caminhar sozinha, eu parei e pensei em tudo o que poderia acontecer, desde o meu medo de me afastar da minha zona de conforto até de tomar decisões rápidas sozinha. Enfrentar o medo sempre foi uma das coisas que pratiquei desde o momento em que sofri de ansiedade, eu precisava encarar tudo que um dia eu já tinha feito e eu coloquei na mente que precisava caminhar sozinha se eu quisesse vencer isso.

A primeira coisa que enfrentei antes de vir para a Irlanda foi me separar de todos, mãe, pai, irmão, marido, amigos, família por completo. Não é uma escolha fácil, porém foi necessária se eu quisesse dar o próximo passo. Deixei meu xodó (Tequinho, canário) e todas minhas coisas que faziam parte da minha rotina.

A partir desse momento, eu já senti que estava me encaminhando para uma corda bamba onde a partir de certo momento eu iria estar sozinha. A segunda coisa a enfrentar foi o medo de voar. Confesso que isso era maior do que os outros medos que eu tinha e principalmente, ficar mais de 9 horas dentro de um lugar onde eu menos queria estar. Passei por isso e cheguei em Portugal.

Mas, ainda tinha que enfrentar mais duas idas antes do destino final e eu estava mais perto de caminhar sem alguém para me segurar. Chegamos na Itália e eu ainda pude aproveitar um pouco de lá, mas às 07:40 pm foi o momento em que o Jefferson se despediu de mim e disse, vai, você vai conseguir, eu volto.

Confesso que aquilo foi parecido quando eu aprendi a andar de bicicleta, eu comecei a pedalar sozinha sem uma mão para me segurar. Fiz check-in sem entender muita coisa, passei pela imigração e fui em direção ao meu maior desafio, viajar sozinha em um avião e chegar em um país onde eu não conhecia nada e principalmente, sem entender muito o idioma.

Os primeiros minutos aqui foram os mais tensos, já cheguei com problemas na reserva do hostel e completamente perdida. Graças ao suporte da empresa de intercâmbio (T2T) eu consegui resolver. Passaram – se os dias e eu tenho aprendido que posso ser capaz de tudo, de procurar crescer no meu intercâmbio, conhecer outras histórias, saber que eu sempre terei o apoio de todos e principalmente, que eu posso dar a mão de novo para alguém e poder caminhar mais tranquilamente pela corda bamba da vida.

O que eu quero passar aqui é somente aprendizados que podem ajudar outras pessoas a enfrentar qualquer medo que possam ter e saibam, se vocês não forem atrás dos seus objetivos e principalmente de enfrentar o medo sozinho(a), vocês nunca saberão se um dia poderiam ter sido capazes de realizar algo, então, persista e se precisar de um apoio, conte com as pessoas que se importam com você de verdade.

Esse é só o começo, vem mais aprendizados por aí! 🙂

Posted by:Carol Pinheiro

26 anos, designer de interiores, ama animais, bichinhos de pelúcia e videogame. Espia o blog, porque tem muita diversidade e assuntos interessantes para compartilhar com vocês.